PALEÃO

Fabrica de Paleão
Génese e historia
Planta e sua evolução
Apetrechamento técnico
As lógicas do mercado
Fotos da fabrica
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Produção
Elaborado por
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Apetrechamento técnico: alguns aspectos  

 

    Tanto a introdução das turbinas hidráulicas, como das maquinas a vapor e, a partir da década de 40, da energia eléctrica explicam o sentido das unidades fabris pós revolução industrial, integrando-se no contexto da mecanização ou maquinofactura da indústria. Ora que maquinas eram postas em movimento por essas energias? Acima, referiram-se de forma genérica os diversos tipos de máquinas utilizadas pela Fabrica de Paleão no seu processo fabril. Tanto a fiação, como a tecelagem oitocentista tinham atingido um alto grau de mecanização e a história de uma unidade têxtil algodoeira e, no fundo, a história das suas produções e produtos, nos quais interferem as maquinas operadoras. Estas obedecem a ciclos e gerações, renovando-se no contexto da inovação tecnológica, de modo a responder a concorrência do sector tanto a nível nacional como internacional. O estudo das diferentes etapas tecnológicas poder-nos-ia levar a compreender esses ciclos e essas gerações, no âmbito de uma revolução permanente dos meios de produção, cujo contexto tecnico-cultural seria, na realidade também por esse motivo, uma história das tecnologias, no período de duração e de vivência de uma unidade fabril. Todavia, esse estudo ultrapassa os objectivos e a escala deste trabalho.

 

Aspecto parcial da preparação da fiação. Década 60.

 

    Sem querer ultrapassar esses limites, importa conhecer os principais fornece dores da Fabrica do Paleão e compreender o estádio do seu desenvolvimento. Um dos aspectos essenciais da tecnologia empregue reconhecível através da documentação, e a dependência técnica a Inglaterra, em especial a Manchester e sua região. Os empresários da Fabrica de Fiação e Tecidos de Soure compraram a grande maioria das suas maquinas a "Primeira Nação Industrial" da Europa Diversos fornecedores podem ser detectados. Assim, os empresários da primitiva Companhia Fabril e Industrial de Soure equiparam a Secção de limpeza e abertura de algodão com maquinas da ASA LEES, datáveis de 1890. Em 1937 altura do Inquérito da Comissão Reguladora do Comercio do Algodão em Rama, as maquinas da ASA LEES estavam instaladas tanto nesta secção como na Cardação, na preparação da fiação, na fiação e na dobagem verificando-se uma utilização preferencial nestes espaços fabris. Ainda então o equipamento da cardação - com dezanove cardas - era dominado pela tecnologia do fim de século que esta firma divulgara entre os industriais do sector. Também os laminadores e os bancos de torce eram seus. No campo da fiação a situação havia mudado, não tão radicalmente como se esperaria, atendendo à inovação no sector. De facto, a fabrica dispunha ainda de seis contínuos de fiar de 272 fusos cada, alé, de duas "selfactinas" expressão aportuguesada das fiações de carruagem, ditas self-action, as continuadoras das mules jennies de Samuel Crompton. Também ainda laboravam quatorze sarilhos para dobar, da mesma marca. Estas maquinas provinham de Manchester, da firma SUMNER e da J HETHERINGTON. 

    No circulo da tecnologia inglesa, a secção de tecelagem dos primeiros anos da Fábrica do Paleão foram dominados pela BAERLEIN & Cª, datadas de 1890 ou, em geral, sem datação reconhecível. Vimos atras o papel que os responsáveis da empresa desempenharam desde o ano de 1888, não só no campo da montagem da fabrica, como na instalação de maquinaria e das caldeiras das maquinas a vapor. As caneleiras, as encarretadeiras, as urdideiras e 215 teares mecânicos são provenientes desta casa metalúrgica de Manchester. Os teares são de quatro tipos, a saber vinte e oito de 0,760 m, sessenta e dois de 0,860 m, cento e quatorze de 0,910 m e onze de 2,200 m, o que nos da as larguras dos panos de algodão ali produzidos. A Baerlein forneceu ainda um hidro-extractor para a tinturaria e uma maquina de dobrar e medir para a secção dos acabamentos. 

 

Oficina de Fiação. Ano 1900.

 

    Entre os equipamentos das primeiras fases refiram-se os encomendados a LORD BROTHERS, cujas datas de introdução em Paleão são por enquanto desconhecidas. Uns anos depois, por influencia da Fabrica de Fiação de Tomar, os equipamentos utilizados adquiriram-se a J HETHERINGTON & SONS, Lte, havendo máquinas de 19l0 e do período subsequente, datadas de 1922. Estas últimas provam que, no momento de passagem para a tutela da Fabrica da Areosa, continuou-se a solicitar os melhores equipamentos a tão credenciada firma. Os teares e fiações eram provenientes de Manchester e produzidas, como o seu nome indica, pela metalúrgica John Hetherington & Sons que desde a década de 70 era a firma mais implantada no território português e principal fornecedora da fabrica de Tomar. As principais mudanças tecnológicas começaram a realizar-se nas décadas de 20 e 30 tanto no equipamento geral da tecelagem, como na diferenciação dos equipamentos mecânicos. De 1923 encontra-se registado um continuo de fiar de 504 fusos. Uma engomadeira de teia foi adquirida, por volta de 1929, à firma BUTTERWORTH & DICK. Entre os equipamentos introduzidos na década de 30 refiram-se as maquinas das firmas inglesa PLATT BROTHERS & Cª, de Oldham (1934), e alemã DEUSTCH,S M (1934-35), ambas fornecendo diversos tipos de contínuos. A empresa de Oldham também forneceu maquinas de cardar. Uma destas cardas ainda se encontrava no antigo espaço fabril em 1997. 

    Na secção de tecelagem são também enumerados teares mecânicos da JOHN M. SUMNER & Cª, da HENRY LIVESEY LTD , da CURTIS, SONS & Cª e da ATHERTON BROTHERS, correspondendo a diferentes tamanhos dos pentes e larguras de panos a produzir.

 

Oficina de Tecelagem. Ano 1900.

 

    Quanto a tecnologia portuguesa a sua representatividade era escassa no conjunto do equipamento mecânico, registando-se apenas dezoito teares da COMPANHIA INDUSTRIAL DE FUNDIÇAO, datadas de 1935, para a produção de panos com uma largura aproximada de 1,10 m. Eram ainda portuguesas as barcas de tingir o fio (sete), as maquinas da serralharia e, segundo se julga, a maquina de cochar os cabos da cordoaria. Recorre-se também a Empresa Industrial Portuguesa, com sede em Santo Amaro, em diversos momentos da história dos equipamentos de Paleão. A resposta a Direcção Geral da Indústria em 1940, por motivo da Estatística Industrial, permite-nos conhecer com alguma plenitude o equipamento técnico da Fabrica de Paleão, nas vésperas da sua passagem para a administração da Empresa Fabril do Norte. Basicamente a situação era idêntica a de 1935, no que se refere a origem das maquinas e suas características básicas. Alias, nenhuma maquina e indicada como sendo adquirida nesse ano. Todavia, o apetrechamento fabril encontra-se mencionado numa perspectiva global, com referência à capacidade de produção em 8 horas de trabalho. 

    A renovação técnica da fabrica, por ocasião da aquisição da Empresa Fabril do Norte, implicara não só uma estrutura diferente da organização fabril, tanto na fiação, como na tecelagem, com novos tipos de maquinas e novas marcas. A Fiação, por exemplo, tem reunideiras de fitas, intróitos, uns alimentados por mantas, outros por fitas, outros ainda com 1ª 2ª e 3ª passagens, bancos, laminadores, penteadeiras duplas, cardas e contínuos. A preferência orientou-se para uma marca de maquinas que chegou a invadir o mercado português – a RIETER.

 

 

in CUSTÓDIO, Jorge, A Máquina a Vapor de Soure. Fundação Belmiro de Azevedo, 1998

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